Origens do Jazz I - Haiti e New Orleans

Oy!

Andei pesquisando sobre como o Jazz surgiu. Como tinha muuuita coisa, vou escrever em dois tempos. Neste post resolvi focar no lado menos americano da história. E lá vamos nós...

Tudo começa na Isla de Tortuga, na então colônia francesa de Saint-Domingue, atual Haiti. Se você assistiu Piratas do Caribe, sabe que lá era point dos ladrões do mar. Os espanhóis já estavam lá, mas os bucaneiros franceses se assentaram em Tortuga e foram tomando o resto. Com o tempo, Saint-Domingue virou produtora de açúcar... e adivinha quem fazia o trabalho pesado? Escravos, pra variar. Todo ano eram importados vários milhares de africanos de diversas culturas.

Como ninguém quer ser escravo quando crescer, os que conseguiam fugir do cativeiro formavam quilombos com os nativos Taínos. Alguns poucos eram filhos livres de brancos e escravas, denominados Créoles (ou criollos – nascidos na colônia), recebiam educação e podiam herdar e ter propriedades (incluindo escravos). Outra permissão era a de manter suas tradições, que se fundiam com as locais e adquiriam uma cara nova.

Em um não tão belo dia cheio de morte e destruição, mais ou menos na virada do século 19, os negros se rebelaram, começaram a quebrar tudo e assumiram o poder, tornando o Haiti a primeira república das Américas e a primeira república negra do mundo. Os brancos (e alguns negros livres) que sobreviveram fugiram. E vários aportaram em New Orleans, Louisiana, ex-colônia francesa que passou uns tempos nas mãos dos espanhóis e que tinha acabado de ser vendida aos EUA por Napoleão.

Em New Orleans, os franceses e espanhóis liberavam os escravos para se reunirem aos domingos na praça Congo Square, onde podiam cantar, dançar, tocar suas músicas. Havia até algum comércio ali. A atmosfera devia ser diferente do resto do Sul dos EUA, que era bem mais rígido. Imagino Congo Square como uma grande festa, com muito banjo, batuque e cantoria. Lá se encontravam escravos de diversas origens, e a mistura cultural e musical devia ser imensa: tambores africanos, instrumentos europeus de segunda mão, música créole, cajun, apalache, quadrilhas francesas e tudo o mais. Isso continuou mesmo depois da venda da Louisiana para os EUA, mas foi diminuindo com a rigidez americana.

Depois da Guerra Civil, o Norte abolicionista venceu o Sul escravista e Congo Square voltou a ser freqüentada, mas agora a moda eram bandas militares. Em New Orleans havia já naqueles tempos a tradição de se tocar música em funerais em uma celebração da vida, e não da morte. Estes eventos passaram a ser conhecidos por Jazz Funeral, mas alguns preferem de chamar "funeral com música". Muitos dos músicos dessas bandas eram negros autodidatas ou que haviam sido educados, como os créoles do Haiti.

É possível que essas mesmas bandinhas fossem populares no carnaval de New Orleans, o Mardi Gras (Terça-feira Gorda em francês), que existe ainda hoje. A festa havia sido trazida pelos primeiros colonos franceses e nela homens, mulheres e crianças, brancos e negros - livres ou não - punham máscaras e fantasias e cantavam, pulavam, dançavam e farreavam loucamente (mais ou menos como ocorre com os nossos carnavais).

Bom... tudo isso foi pra mostrar a salada de etnias e o clima de festa de New Orleans, pelos menos quando se compara com o resto cruel do Sul dos EUA. Mais tarde surgiria o Ragtime e a primeira forma de Jazz, o Dixieland.

Mas isso só na Parte II.

Au revoir!


P.S.: Pro post não ficar muito mudo, aqui vão algumas músicas de Brass Bands atuais de New Orleans. Não sei até que ponto elas se parecem com as bandas militares originais, mas é o mais próximo que podemos chegar.

Um comentário:

  1. Gostei muito deste post. Quando será postado a segunda parte? Qual foi a fonte pesquisada para este post? Grato pela atenção.

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