Gipsy Jazz


Salut!

Vou aproveitar que comecei a fazer Francês pra falar de um ritmo de lá: o Gipsy Jazz. Esse é um daqueles estilos que você provavelmente já ouviu sem saber o que era. Como o nome sugere, o Gipsy Jazz tem a ver com ciganos. Então vou contar um pouco da história deles antes de prosseguir.

Os ciganos são um povo nômade que aparecia e ia embora. Ninguém sabia de onde eles tinham vindo — nem eles mesmos — e isso gerava fofocas. Alguns achavam que eles eram egípcios, e daí veio os nomes gipsy, gitano e cigano. Até que um belo dia fizeram análises genéticas e concluíram que os ciganos vieram da Índia. Marcharam pra Europa na Idade Média e foram se espalhando pelo caminho. Conforme se espalhavam, se dividiam em subgrupos.

Um desses subgrupos, os Manouche, ficou no norte da França, e por isso o Gipsy Jazz também é conhecido como Jazz Manouche. E mais ou menos em 1900 e Dercy Gonçalvez que um cara chamado Django Reinhardt (pronuncia-se 'Djangô Renárt') resolveu que queria ser músico. Começou com violino e banjo até que, aos 18 anos, a caravana em que vivia pegou fogo e queimou dois dedos de sua mão esquerda. Ao invés de desistir, ele decidiu aprender violão com os dedos restantes. Misturou a melodia do seu povo e estilos da França com o ritmo binário (2/2, aquele 'tum-tá-tum-tá') do Jazz Swing (na mesma época o Bill Monroe misturou Folk Apalache com esse mesmo Jazz e criou o Bluegrass). 

O Gipsy Jazz começou como um Jazz Swing com predominância do violão, até que foi reduzindo ao formato de dois violões e um contrabaixo. Um violão faz a melodia enquanto o outro marca o tempo de maneira bem característica, substituindo a bateria. Outros instrumentos, como o acordeon, clarinete e até uma bateria podem aparecer às vezes. Além destes, há o violino, popularizado no Jazz pelo Stéphane Grappelli

A condição de sua mão esquerda forçou Django a tocar acordes diferentes e a solar apenas com dois dedos, dando ao Gipsy Jazz um jeitão bastante único. Ele formou junto a Grappelli e outros músicos o Quintette du Hot Club de France, e com eles foi moldando o estilo. Algumas músicas: Swing Guitars, Djangology (narcisista!), Limehouse Blues, The Sheik Of Araby, Minor Swing (a mais famosa), e várias outras.

Os pioneiros do Gipsy Jazz criaram diversos standards que ainda são tocados, de modo que é possível achar versões de quase todos os músicos Manouche. Depois deles, vários Hot Clubs locais surgiram e outros músicos acabaram perpetuando o estilo. Um deles é o virtuoso Stochelo Rosenberg, com o Rosenberg Trio. Para ouvir: Minor Blues e Caravan. Stochelo já tocou em encontros mais moderninhos com outros músicos, como Romane, com Double Jeu e For Wes, e Biréli Lagrène, com Spain.

O Gipsy Jazz, apesar de pouco conhecido, é um estilo de Jazz bastante acessível. Quem assistiu ao filme 'Chocolat' pôde ver o personagem de Johnny Depp tocando alguns standards do Hot Club de France: Minor Swing e Caravan. A animação 'As Bicicletas de Belleville' também é recheada do estilo. Há músicos mais novos e pops que investem no estilo, como Thomas Dutronc (com um solo de gargarejo sensacional) e os caras do Les Doigts De L'Homme. Além disso, é bastante fácil "gipsyzar" jazzes, como nesta versão de All Of Me, famosa na voz de Frank Sinatra.

Bônus: Maaaaaais uma versão de Minor Swing, com o acordeon de Richard Galliano.
Bônus 2: Mario Gipsy!


No mais, é isso aí!
Au revoir!

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