Daby Touré - Mauritânia

Uma viagem um pouco mais longe, ao norte. Lá no noroeste da África.

Engano seu. Não é da família Marley, não é da Jamaica, muito menos canta Reggae.
Daby Toure nasceu na Mauritânia (logo ali>>)
e desde criança vivenciou o universo musical, já que sua região era uma mistura de diversos estilos e seu pai era músico. Quando tinha 18 anos, mudou-se para França com seu pai, porque o véio foi convidado pelo grupo Touré Kunda a tocar em Paris. O pai foi com Daby com o intuito de que ele estudasse e fosse algupem na vida. Mas... perdeu, paizão. O carinha se apaixonou por música também, começou a faltar nas aulas para estudar música e treinar e compor e o capeta e tal.
Então o Pai Toure fica bravo, resolve não mais o apoiar.

Porém, a vingança vêm com seu primeiro album chamado Toure Toure, lançado junto a um primo, que fez sucesso instantâneo e o colocou no cenário jazz parisiense. E hoje mora lá ainda, já faz 20 anos. Com efêmeras viagens à terra natal.


Este aqui do lado<<, é seu segundo album, Diam, que apenas fez o cara subir mais na mídia, pois a qualidade é muito boa. Também inovador, mistura vários estilos, desde o jazz até o ritmo vocal árabe, influência muçulmana de seu país desértico (perto do Saara). Nas próprias palavras dele: " Eu nasci na África, e todos os estilos que me tomaram quando pequeno continuam em mim. Mas ainda procuro, misturo e tento coisas novas. Estou longe de ser um músico tradicional da minha terra". Seu segundo album mais importante, Stereo Spirit (na minha opinião amadora, o melhor album), é uma mensagem para o mundo conturbado em que vivemos, com passagens de esperança e crítcas à sociedade moderna e seu excesso na busca pelo materialismo. "Ó Mundo Mundano"

Ele diz algo que acho muito válido: "Meu propósito é dar às pessoas o melhor momento possível enquanto escutam a minha música, mesmo que não entendam uma palavra do que estou dizendo, já que falo uma língua que elas não entendem"

É exatamente isso que sinto na música dele. Ele canta, sei lá, em árabe, em mauritanês, em Daby Tourês, em Wolof, em Soninké, em Pulaar (essas três são línguas que ele aprendeu na infância infantil), ou em qualquer outro inferno de língua, mas mesmo assim o som é muito agradável. Tem lá muita coisa árabe, e isso pode deixar as pessoas com um pé atrás, achando que é tudo As Mil e Uma Noites, Sheiks e Odaliscas e carinhas de turbantes gemendo frases indescifráveis. Não! nada a ver. Até porque tem muito violão calminho nos prelúdios, interlúdios, poslúdios e outros infernos. Só a voz dele mesmo que lembra um pouco a música árabe.

Só escutando para perceber a qualidade da música de Daby Touré

Eu mesmo nunca me via escutando música num estilo levemente árabe. Mas quando conheci, baixei alguns ábluns, não parei mais de ouvir.

Conheci ele também num filme, que aliás já fica de dica pra quem é cinéfilo. Nova York, Eu Te Amo, um filme diferente, sem continuidade, com vários segmentos e muitos atores. Num desses segmentos, um taxistas malinês está ouvindo Daby Touré e a passageira pergunta: "É Daby Toure, não?". E assim anotei seu nome e fui atrás dele.

Valeu a pena.

Agora recomendações:

Iris, que é a música do filme que falei acima.

Mi Wawa, só achei ao vivo. Mas é muito boa a versão original.

Mansa, tem um backvocalzinho feminino no fundo, e a batida é contagiante.
Essas três são do albúm Diam

Agora umas mais melhorzinhas: Kebaluso, no comecinho, essa sim lembra o swing jamaicano.
Kiyé, melodiosa e tranquila. Quase um acústico.
Yafodé (sem trocadilhos), alguns podem gostar dessa.

Agora empatadas como as duas melhores dele: My Life e Bibou.

Punto e Basta.


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