Ethiojazz: Mulatu Astatke - Etiópia


Conheci Mulatu Astatke num dos meus filmes favoritos de um dos meus diretores favoritos: Broken Flowes, do diretor Jim Jarmusch. E nesse filme, aliás, tem um dos meus atores favoritos: Bill Murray. Então não tinha como não gostar desse conjunto magistral.

Sem querer falar muito de cinema, Jim Jarmusch dá muita importância para as trilhas sonoras nos seus trabalhos. E em Broken Flowers esta é basicamente feita por música de Astatke. Quando assisti ao filme fiquei muito surpreso com o estilo da música, e confesso que a princípio estranhei.
Mas o som é genial.



Falando um pouco de contexto e história: Mulatu nasceu na Etiópia >
cuja capital é Addis Ababa, em 1943. Chegou a morar na Inglaterra e EUA, onde teve contato com Duke Ellington, ícone do jazz no piano. Toca clarinete e piano. O que ele fez foi o seguinte: pegar todas as influências ocidentais do jazz, trazer de volta para a pobre Etiópia e misturar os estilos, formando assim um music-shake de vários gêneros. Para nomear os bovinos, diríamos: Afro-beat, Ethio-Jazz, Funk, e uma forte influência do ritmo árabe.

O que mais gosto na música de Astatke é que a maioria delas é mergulhada no Cool Jazz, gênero o qual surgiu da mente de ninguém menos que Miles Davis. É a melhor vertente do Jazz, mais melancólica e silenciosa, mais espaçada e triste. Excepcional.

O diferencial da música está exatamente na inovação. Mulatu faz um jogo de guitarra, piano, tambores, baixo, e principalmente, instrumentos de sopro tocados ao mesmo tempo, dando aquela sensação de música árabe.


Como o país teve uma ocupação muito breve da Itália, nada da cultura dos ragazzos teve a ver com as inspirações de Mulatu, muito menos seu nome indica alguma descendência italiana.

Alguns diriam que seu estilo tem um quê de psicodélico, pois o som traz certa hipnose, uma sonolência, ou se preferir, uma sedução sonora.

É ótimo por pra tocar quando se vai dormir.


Quando escuto algumas das músicas dele, me vem as lembranças de trilhas sonoras de jogos de video games antigos, principalmente de Alladin, de Mega Drive. Devido essa orgia de instrumentos, convenientemente bagunçada, o som segue sem que se perceba aonde se quer chegar, ou que se tenha uma previsão das próximas notas. Isso o diferencia do Jazz tradicional, onde podemos ao menos tentar adivinhar o que virá a seguir. Sei que o jazz é o gênero do improviso, mas convenhamos, dá pra perceber alguns padrões.

Terminando, Multatu Astatke é essencial para quem gosta de Jazz. Sim, é meio árabe, mas é gostoso de se ouvir.

Num futuro obscuro trago mais informações sobre ele. Abaixo, minhas indicações:

'A Man of Experience and Wisdom' - uma guitarrinha bem legal, um clarinete (ou flauta) que soa muito bem aos ouvidos, algo que não consegui distinguir se é um piano ou um Vibrafone, e é claro, trompete e saxofones tocados ao mesmo tempo, dando aquela sensação árabe na música.

'When Am I Going To Reach There' - com sons de vento ao fundo, de novo uma flauta (ou clarinete) bem suave, um piano tranquilo ao fundo e a bateria bem letárgica.

Essas duas são mais descartáveis, agora vem as mais distinguíveis:

'From All The Time I Have Passed' - Espetacular, um ritmo envolvente, com preludio e refrão. (Uma das que fazem parte de Broken Flowers - 2005)

'My Muna' - minha preferida, dando ênfase ao saxofone. E bem próximo do Cool Jazz e sua melancolia.

'My Gubel' - Também presente em Broken Flowers, essa é mais alegrinha e tem um ritmo agradável, e nada confuso.

Agora pra quem é fã de guitarra, ou propriamente do Blues que faz grande uso dela, indico: 'My Asmara'. Verás o que estou dizendo...

A música 'Bell' é uma bagunça diabólica, então, não a recomendo.

De Mulatu, acabou-se

Ao menos Parcialmente.

Inté

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