Nação Zumbi

Nos anos 90 surge o movimento Manguebeat em Pernambuco, e seu principal expoente é o grupo Nação Zumbi, cujo nome já homenageia o grande líder do Quilombo dos Palmares. Assim como na Tropicália, o Nação procurou fundir diferentes característica de ritmos afrodescendentes- como o maracatu, a congada, o samba -, com ritmos estrangeiros - como o funk, o hip hop, o rock. O grupo preserva a cultura afrobrasileira quando a mistura e atualiza.

Mais do que isso, especificamente no álbum Afrociberdelia, é inventada uma nova religiosidade africana, mesclada com elementos da cibercultura e ficção científica. No encarte do disco, o escritor Bráulio Tavares explica que, na filosofia afrociberdélica, "humanidade é um vírus benigno no software que é a natureza, e pode ser comparada a uma árvore cujas raízes são os códigos do DNA humano (que tiveram origem na África), cujos galhos são as ramificações digitais-informáticas-eletrônicas (a Cibernética), e cujos frutos provocam estados alterados de consciência (a psicodelia)

Louco? Um pouco, como todo movimento ousado é. O projeto une a contemporaneidade tecnológica às tradições afrobrasileiras, e isso fica claro logo na primeira música do CD "Mateus Enter", uma espécie de convite ao início da festa do Maracatu. Mateus é personagem típico dos folguedos de maracatu rural, a estrutura da letra é muito próxima das músicas de abertura desse tipo de festa. Ao fim, o retorno à ideia do CD "Pernambuco embaixo dos pés e minha mente na imensidão".

As influências são perceptíveis em várias outras faixas do CD. "Maracatu Atômico" - que não é de composição da banda mas foi regravada e se encaixa perfeitamente no perifl - mescla os tambores de Maracatu com o baixo típico do Funk; e há músicas como "Quilombo Groove" e "Interlude Zumbi" que já contam no título suas ligações com a negritude brasileira.
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